Comentário de Zacarias 4

Contexto

  • 605 a.C.: Exílio babilônico: 1ª deportação
  • 597 a.C.: Exílio babilônico: 2ª deportação
  • 586 a.C.: 3ª Deportação e Destruição (Queda) de Jerusalém (2 Crônicas 36)
  • 539 a.C.: Queda da Babilônia por Ciro
  • 538 a.C.: Decreto de Ciro permitindo a volta dos judeus (Esdras 1—3)
  • 537-536 a.C.: Início da construção do templo e da restauração religiosa (Esdras 3)
  • 536-520 a.C.:  Oposição e embargo das obras do templo (Esdras 4)
  • 520-518 a.C.: Ministério dos profetas Zacarias e Ageu, conclamando Zorobabel, Josué e todo o povo a voltar a Yahweh e à construção do templo e da nação
  • 516 a.C.: Conclusão da construção do 2º templo
  • 483-473 a.C.: História de Ester
  • 458 a.C.: Missão de Esdras (Esdras 7—10)
  • 445 a.C.: Missão de Neemias (Neemias 1—10)
  • 432 a.C.: Reformas posteriores de Neemias (Neemias 13)
  • 430 a.C.: Ministério do profeta Malaquias

Na época de Zacarias e Ageu (ca. 520 a.C.), a construção do templo já estava parada há vários anos. O imperador que havia impedido a construção já havia morrido. Os líderes e o povo estavam mais preocupados com suas próprias casas e vida do que em restaurar o culto e o templo de Yahweh. Assim, o povo não estava sendo abençoado. Aquela alegria e vigor espiritual de quem havia sido restaurado (Salmo 126) haviam acabado há muito templo e eles estavam vivendo uma vida de rotina e pecados, bem parecida com a vida dos judeus de antes do exílio e dos demais povos da terra.

Assim, Deus levanta os profetas Zacarias e Ageu para exortar Zorobabel, governador de Judá e Josué, o sumo-sacerdote, juntamente com o resto do povo a fim de que eles voltassem para o Senhor Deus e construíssem o templo e restaurassem a vida espiritual do povo.

1) Zacarias 4.1-6: A visão de um mecanismo para o castiçal: a obra de Deus depende do Espírito de Deus

1 E o anjo que falava comigo voltou e me despertou, como alguém é despertado do seu sono. 2 E disse-me: “Que estás vendo?”

E eu disse: “Olhei, e eis um candelabro — todo de ouro — e a sua taça sobre o seu topo, e as suas sete lâmpadas sobre ele; e sete e sete tubos para as lâmpadas que estão sobre o seu topo; 3 e duas oliveiras junto a ele, uma à direita da taça e uma à sua esquerda.”

4 Então respondi e falei ao anjo que falava comigo, dizendo: “Que são estes, meu senhor?”

5 E respondeu o anjo que falava comigo e disse-me: “Não sabes o que são estes?”

E eu disse: “Não, meu senhor.”

6 Então respondeu e falou-me, dizendo: “Esta é a palavra de YHWH a Zorobabel, dizendo:
Não por força, nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz YHWH dos Exércitos. 7 Quem és tu, ó grande monte? Diante de Zorobabel — planície! E ele fará sair a pedra de remate, com aclamações: ‘Graça, graça para ela!’” (Zacarias 14.1-7, YLT Traduzida e Atualizada)

  • A visão de Zacarias é muito interessante. Ela apresenta uma espécie de “engenhoca”. Um castiçal de ouro, cujas lâmpadas são alimentadas por sete tubos de ouro que saem de uma taça. A taça, por sua vez, é alimentada por duas oliveiras.
  • Algumas vezes no texto, o anjo vai se certificar de fazer Zacarias assumir que não está compreendendo a visão, o que ensina humildade e dependência.
  • A visão é para incentivar Zorobabel, o governador de Judá e descendente de Davi, que apesar de sua própria fraqueza, a obra de Deus não depende de força e poder humanos, mas é realizada pelo Espírito de Deus, ou seja, o óleo do castiçal.

2) Zacarias 14.8-10: Promessa de que Zorobabel vai concluir a construção do templo com a ajuda dos olhos de Yahweh: Não desprezem os pequenos começos

8 E veio a mim a palavra de YHWH, dizendo: 9As mãos de Zorobabel fundaram esta casa, e as suas mãos a terminarão; e saberás que YHWH dos Exércitos me enviou a vós. 10 Pois quem desprezou o dia das pequenas coisas? Eles se alegrarão e verão o prumo na mão de Zorobabel. Estes sete — são os olhos de YHWH; eles percorrem toda a terra.” (Zacarias 14.8-10, YLT Traduzida e Atualizada)

  • Especialmente para quem conheceu o templo de Salomão, as estruturas do novo templo pareciam vergonhosas e longe de estarem a altura de Yahweh.
  • Esse sentimento aparece em Esdras e em Ageu:
  • Esdras 3.12: Porém muitos dos sacerdotes, levitas e chefes de famílias, já idosos, que tinham visto o primeiro templo, choraram em alta voz quando, diante de seus olhos, foram lançados os alicerces deste templo; muitos, no entanto, levantaram as vozes com gritos de alegria.
  • Ageu 2.2-4, 8-9: 2 — Fale agora a Zorobabel, filho de Salatiel, governador de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, e ao remanescente do povo, dizendo: 3 Quem de vocês, que tenha sobrevivido, contemplou este templo na sua primeira glória? E como vocês o veem agora? Por acaso não é como nada aos olhos de vocês? 4 Mas agora o SENHOR diz: Seja forte, Zorobabel! Seja forte, Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote! E vocês, todo o povo da terra, sejam fortes, diz o SENHOR, e trabalhem, porque eu estou com vocês, diz o SENHOR dos Exércitos. … 8 Minha é a prata, meu é o ouro, diz o SENHOR dos Exércitos. 9 A glória deste novo templo será maior do que a do primeiro, diz o SENHOR dos Exércitos; e neste lugar darei a paz, diz o SENHOR dos Exércitos.
  • Ao final dessa sessão, o texto “puxa” parte da visão anterior (Zacarias 3.9: Porque eis aqui a pedra que pus diante de Josué; sobre esta pedra única estão sete olhos. Eis que eu gravarei nela uma inscrição, diz o SENHOR dos Exércitos, e tirarei a iniquidade desta terra num só dia). Embora no próprio texto de Zacarias, os “sete olhos” pareçam apontar para a onisciência do Deus que sabe tudo o que acontece em toda a terra, em Apocalipse a mesma imagem (sete olhos) é utilizada apontando para o Espírito Santo agindo em Jesus Cristo (Apocalipse 5.6: Então vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, em pé, um Cordeiro que parecia que tinha sido morto. Ele tinha sete chifres, bem como sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados por toda a terra). Assim, temos nos “sete olhos” mais uma imagem apontando para o poder do Espírito que vai fazer o que está sendo prometido no texto.

3) Zacarias 14.11-14: Os dois ramos de oliveira são os dois filhos do óleo: Josué e Zorobabel

11 Então respondi e lhe disse: “Que são estas duas oliveiras, à direita do candelabro e à sua esquerda?” 12 E respondi pela segunda vez e lhe disse: “Que são os dois ramos das oliveiras que, por meio dos dois tubos de ouro, vertem de si o óleo dourado?”

13 E falou-me, dizendo: “Não sabes o que são estes?”

E eu disse: “Não, meu senhor.”

14 Então disse: “Estes são os dois filhos do óleo, que estão de pé junto ao Senhor de toda a terra.” (Zacarias 4.11-14, YLT Traduzida e Atualizada)

  • Na última parte do capítulo 4, existe mais uma interpretação da visão. As duas oliveiras são identificadas como os “dois filhos do óleo”.
  • Essa expressão, provavelmente aponta para Josué (sumo-sacerdote) e Zorobabel (governador). Homens que são líderes do povo de Deus e que foram feridos pela Palavra de Deus pregada por Zacarias e Ageu e mudaram a sua atitude e lideraram o povo rumo a uma reforma espiritual e na conclusão da construção do templo.

Ligações do Texto com a Nova Aliança

  • A grande ênfase do nosso texto de que o obra de Deus é feita por meio do Espírito Santo de Deus é uma ênfase fortíssima no Novo Testamento. Jesus Cristo foi totalmente habitado pelo Espírito é foi aquele que possibilitou que todos os cristãos também fossem habitados pelo Espírito Santo e transformados em “filhos do óleo”, ungidos com o Espírito para servir a Deus.
  • A ideia do monte que se torna uma planície aponta para um grande obstáculo (assim como no Salmo 121) que é transposto por meio do poder de Deus. Um uso parecido é feito por Jesus em Mateus 17.20 (e paralelos): “se tiverem fé como um grão de mostarda, dirão a este monte: “Mude-se daqui para lá”, e ele se mudará. Nada lhes será impossível”.
  • A referência à pedra (tanto em Zc 3.9; 4.7-10) faz referência à Jesus, aquele que é a Pedra principal de construção do templo de Deus (Mateus 7.25; Mateus 16.17–18; Mateus 21.42; Lucas 20.17–18; Atos 4.11; Romanos 9.32–33; Romanos 15.20; 1 Coríntios 3.9–17; Efésios 2.20–22; 1 Pedro 2.4–8; Apocalipse 21.14; Zacarias 4.7–9; Salmos 118.22; Isaías 8.13–15; Isaías 28.16) e em quem os cristãos também são feitos pedra (Mateus 16.18; Efésios 2.20–22; 1 Coríntios 3.9–17; 1 Pedro 2.4–8; Apocalipse 21.14).
  • Em Apocalipse 1—2, os castiçais são um símbolo da igreja que faz a sua obra no poder do Espírito Santo.
  • As duas oliveiras aparecem como duas testemunhas em Apocalipse 11: “Apocalipse 11.3–6: 3 Darei autoridade às minhas duas testemunhas para que profetizem durante mil duzentos e sessenta dias, vestidas de pano de saco. 4 São estas as duas oliveiras e os dois candelabros que estão em pé diante do Senhor da terra. 5 Se alguém pretende causar-lhes dano, da boca dessas testemunhas sai fogo e devora os inimigos; sim, se alguém pretender causar-lhes dano, certamente deve morrer. 6 Elas têm autoridade para fechar o céu, para que não chova durante os dias em que profetizarem. Têm autoridade também sobre as águas, para transformá-las em sangue, bem como para ferir a terra com todo tipo de flagelos, tantas vezes quantas quiserem.”
  • A reconstrução literal do templo empreendida por Zorobabel aponta tanto para a ressurreição de Jesus (cf. João 2.19-32), quanto para a igreja como o corpo de Cristo (1 Coríntios 3.16; Efésios 2.21-22; 1 Pedro 2.5).
  • Zorobabel era um descendente de Davi (1 Crônicas 3.17-19) que estava exercendo uma função de governo (Esdras 3.2; 5.2; Neemias 12.1) e recebeu profecias de Deus a seu respeito (Ageu 2.23). Zorobabel é um descendente direto de Jesus (Mateus 1.12; Lucas 3.27). Assim, neste texto, Zorobabel exerce a função de tipo de Cristo, aquele que realmente construiu o templo definitivo de Deus, ou seja, a igreja.

Lição para a vida (aplicação)

               Assim como Zorobabel, temos grandes obras que precisamos desenvolver. Às vezes ficamos desanimados diante da grandeza do desafio. Outras vezes ficamos orgulhosos pensando que conseguimos fazer tudo sem precisar de ajuda. Esse texto nos lembra que a obra de Deus é feita na força do Espírito de Deus. O Espírito pode nos usar e ser em nós uma fonte perene de força e poder para conseguirmos fazer a obra de Deus. Além disso, o texto também nos ajuda a lembrar que não devemos desprezar os pequenos começos. No reino de Deus, uma pequena fé move grandes montanhas; um pequeno grão de mostarda gera a maior de todas as hortaliças e uma cruz gera salvação para pessoas do mundo todo. Que privilégio podermos participar da obra do Senhor!

Declaração de Uso de Inteligência Artificial

Neste post houve uso de inteligência artificial (ChatGPT) para: (1) criar imagens; (2) pesquisar referências bíblicas; (3) pesquisar as ligações com a Nova Aliança; (4) traduzir e atualizar a Young’s Literal Translation para o português; (5) pesquisar a cronologia do período.

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